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Há Lobo no Cais

Pela infância, não devias estar velho, devias estar morto…

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 É a mais pura das verdades para todos os “velhotes” que nasceram nos anos 70 e 80. Já repararam que a nossa infância foi uma bomba relógio? Pelo menos é a conclusão que se tira tendo em conta a quantidade de regulamentos, leis e regras impostas às crianças nos dia de hoje. Algumas com toda a razão, mas outras, na minha opinião, são um exagero. Vamos lá ver, existe algum casal de “primeira viagem”, no que toca a filhos, que não viva assustado de tal forma como são condicionados pelo alarmismo com que vivem nos dias de hoje? Será que a diferença está em termos sido educados para ser rijos e capazes de enfrentar o que a vida nos apresentar, enquanto as crianças de agora não passam de umas florzinhas de estufa?

 

Gostei muito da infância que tive e como eu muitos outros, já que não se passavam os dias na rua sozinho. E quando se fala em rua, falamos numa série de situações em que a vida corria riscos. A verdade é que estamos cá para contar a história, contra a espectativas.

Vamos lá ver, andar de bicicleta nunca implicava usar capacete. Hoje, além do capacete, ainda levam com joelheiras, mais cotoveleiras e algumas mães gostavam ainda de envolver a criança naquela película protetora. Claro que sou a favor da segurança, no entanto qual a piada de andar de bicicleta sem correr o risco de ter um joelho esfolado ou os braços arranhados? E já agora, existe legislação para os carrinhos de rolamentos? Pois não, não é preciso, que a canalha nem sabe o que isso é.

Quantos anos de cadeia levam os pais se não estiverem preocupados, se não ativarem a policia, o exército e os escuteiros em caso do puto sair de casa para brincar sem dizer onde vai e sem estar contactável? Pois é, na nossa infância desde que estivéssemos em casa na hora das refeições estava tudo dentro do “normal”. Sendo que o normal era ser-se responsável, mesmo sendo criança.

Ainda na rua, quem não brincou e ao chegar a casa via-se mais terra do que roupa, comeu fruta que apanhou de uma qualquer árvore da vizinhança ou bebeu da 1ª mangueira que encontrou? Pois é, nos dias de hoje são tudo situações que podem “matar” a criança! Alem de que seria um “ai jesus” deixar a criança fazer qualquer coisa destas.

Agora, realmente os armários têm fechos à prova de crianças, as tomadas também e os móveis as esquinas protegidas. Mas quando vão elas aprender que deixar o dedo e fechar a porta do armário aleija? Que não olhar para onde se vai pode resultar em cabeçada numa esquina?

Não estaremos a criar crianças estúpidas? Onde fica o “cair, levantar e aprender”? não estou a dizer que uma infância ao estilo do Tom Sawyer não seja perigosa, claro que volta e meia aparecia alguém com um braço partido ou a cabeça rachada, no entanto sobrevivemos e aprendemos. Como podem ver, ao contrário do que “vendem” nos dias de hoje, as crianças não são de vidro.

Pela infância devíamos ter morrido todos. Mas a realidade foi outra, estas gerações que produziram pessoas desenrascadas, capazes de lidar com as situações e para quem o fracasso não é o fim do mundo, mas apenas uma situação que é preciso lidar e contornar.

O problema não é estarmos a ficar “velhos”, são os mais novos que não estão à altura de nos substituir, porque não tiveram a verdadeira infância.

 

Nota – Também se morde outras coisas no facebook, curiosos?