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Há Lobo no Cais

O Natal é algo tão simples… não andem distraídos.

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 O Natal não tem de ser “diferente”, o Natal tem de ser é verdadeiro e não é nada disso que se vê nos dias de hoje. “Ai e tal, que é toda a gente assim”, ai e tal que se não for na onda levam a mal”, já eu digo “ai e tal não faltam é burros para por no presépio”.

Já aqui escrevi o que acho sobre as prendas caras e dar dinheiro. Hoje vou tentar ir ainda mais longe, demonstrar o quanto secundário são as prendas e a “obrigação” de dar “lembrança” a toda a gente, assim como de toda a “guerra” que envolve a sua compra. Natal é algo muito diferente, as ditas “lembranças”, normalmente não passam de “lixo” e vão ser enfiadas numa gaveta. "Lembranças de Natal" são algo muito diferente e chegam já a seguir.

 

Qual a magia de andar stressado porque se ter de comprar prenda para A, B, C e restantes letras até ao Z? Lembra-te que a partir do momento que é um stress podes parar por ai mesmo, essas pessoas merecem prenda? São relevantes para ti para a tua felicidade? “Aaah, mas eu sei que ela me vai dar algo”, sorte a tua. Mas já pensaste que a pessoa pode estar só a fazer o frete?

Experimentem fechar os olhos e lembrar do que realmente gostaram nos Natais passados. Eu posso facilmente dizer que é de estar com as pernas debaixo da mesa.

Para mim natal começa quando me sento na “minha” cadeira (estrategicamente junto da janela e de difícil movimentação, que não sou burro do presépio e ser o neto mais velho é posto) junto à velhinha mesa de madeira de sempre em casa dos meus avós. A partir desse momento começou o natal. Seja para comer e beber (o único dia do ano em que bacalhau cozido com batatas me sabe bem e repito), seja para as prendas (nestas prefiro as que são brincadeiras ou indiretas, que a minha criança interior não morre), seja para voltar a comer e beber (eu que não sou dado a doces, mas o natal é mágico e consigo comer rabanadas, aletria mexidos, sopas secas, bolo rei, pão de ló… em sucessivas rodadas e acabo sempre com azia, mas sem ela também não seria natal), seja para diversão em família (e nisso nós somos bem palhacitos e não faltam “crianças” com mais de trinta), seja para voltar ainda a comer e beber (porra já passou da meia noite, uma pessoa fica com fome, principalmente de doces), seja para a “batota” de fim de noite (mas só porque comemos demais e é preciso fazer algo enquanto se toma um “digestivo”, ou dois, ou três). Isso é que realmente é o natal.

Também é tradição os avós, pais e meninas irem para os quartos do andar de cima e os desgraçados dos rapazes ficarem cá em baixo a fazer barulho e dormirem no quarto que o estore não fecha bem (sendo que os três são engenheiros, já o podiam ter composto, mas perdia-se a tradição de reclamar do nosso “sofrimento”).

Mas a mesa não ficou esquecido, que ainda há muito mais à volta dela, ainda se vai almoçar o assado, comer entre o almoço e jantar e para terminar o 25 a roupa velha também se como em volta dela.

Eis o natal, a família, a alegria, o barulho e os doces da avó que são mágicos e não engordam (é o que dizem as duas nutricionistas presentes na nossa mesa).

Agora mais prendas ou menos prendas é para o lado que durmo melhor. Já a referida azia é capaz de atrapalhar qualquer coisinha e piorar se me falarem em sair para um copo na noite de 24. Nesses casos, trato logo de dizer “vai pro piiii, que isso não é natal”.

 

Nota – Também se morde outras coisas no facebook, curiosos?