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Há Lobo no Cais

Não é cortar o cabelo, é uma aventura!

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 Não, não é por ser coisa de macho, é algo mais profundo, com algum significado, que vão entender o sentido nas próximas linhas.

Marcação de hora para cortar? Mas o que é isso… homem que é homem não vai ao barbeiro com as horas contadas, até porque é algo de impulso, “não tenho nada pra fazer agora, vou…”, “não tenho desportivo no café, vou…”, “estou a parecer um urso, vou…”. Se és mais dado a ser metrossexual ou outra coisa qualquer que não apenas homem, tens os salões de beleza e marcas lá hora para cabelo, madeixas ou esfoliação e desampara-nos a loja. A ida ao barbeiro implica esperar, porque a ida ao barbeiro não é só o sentar na cadeira e ter o cabelo cortado ou a barba feita. Existe uma lista de outros passos, indispensáveis, a cumprir até chegares à dita cadeira.

 

Logo ao entrar no espaço, nitidamente masculino, como quem diz não pensado… não, não é um caos, não é um local desorganizado, tem a sua lógica própria. As cadeiras da zona de espera estão praticamente em cima das cadeiras de corte, mas não quer isso dizer que há falta de espaço, que tenha sido mal pensado ou que simplesmente abandonaram a mobília lá dentro… significa que a conversa é em grupo. Seja política, futebol, cultura ou as pernas da miúda da loja do lado, toda a gente dá o seu palpite, toda a gente participa e de longe ficava complicado. Onde mais, que não numa barbearia seria possível na descontração da conversa geral ouvir-se algo do tipo “agora só tenho tesão na língua” dito por alguém a caminho dos 80 anos. Ou já depois de ter cortado o cabelo e enquanto da um jeito na camisa em frente ao espelho alguém dizer “fo…-se, de cabelo cortado é que fico bonito. Amanhã estou cá outra vez”.

Sim, tudo é permitido, todos se sentem em casa. Tão é casa que ainda na semana passada lá estive, não pra cortar o cabelo, mas apenas porque um amigo ia e eu queria dar umas risadas (“desculpe, só cortamos cabelos, não cortamos tomates”, quando um sr. da porta perguntou se ainda dava para cortar enquanto tinha a mão na zona dos ditos) e por o olho no desportivo.  

Revistas com cortes de cabelo, de moda ou fofocas? Mas fazem falta? Então, há uma TV ligada num canal desportivo, que por si só já é motivo para grandes discussões, seja sobre futebol ou bilhar de bolso. Depois há sempre, pelo menos, um diário desportivo, outra fonte de conhecimento e cultura. Sim que numa barbearia não se acumula revistas com meses de idade, por isso não digam que não há organização e arrumação diária. Para além das limpezas diárias do espaço, o jornal vai para reciclar. Quanta à falta de exemplos de cortes, ficam a saber que no barbeiro só há um corte, “como vai ser chefe, o habitual”… e mesmo que digas algo diferente, levas o habitual. Também, depois de anos a cortar-te o cabelo, vais lembrar-te de querer mudar… esquece lá isso, isto é uma barbearia.

Ir à barbearia é saber que se vai passar um bom momento, é saber que sabem quem somos, pois no pior caso, o barbeiro explica a quem esta à espera que és filho de X, sobrinho de Y que andou na tropa com o senhor que acabou de sair de lá… e na hora de pagar dizem-te que são 5 paus. Sim, são mesmo 5 euros, na barbearia ninguém é roubado (algo que todas as mulheres são de cada vez que vão ao salão de beleza), e no meu caso ainda me dão um jeito na barba.

lembrem-se é que já existem poucas destas barbearias. Quem as conhece guarde a sua localização para si.

PS- um texto reciclado é melhor do que nenhum e há muita coisa que se come uma, duas ou mais vezes... ;)

 Nota – Também se morde outras coisas no facebook, curiosos?