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Há Lobo no Cais

Bebé Zuckerberg, quando a "caridade" é apenas aplicações e lucros.

Foi a bomba da semana, “Zuckerberg foi pai e vai doar 99% das acções do Facebook para a caridade”, estranhei, fiz uma pequena pesquisa e descobri que foi mais “como ter grande retorno mediático e não pagar impostos”. Pois, perdeu o encanto, mas estavam à espera de algo menos que racionalidade de um homem que veste 365 dias do ano uma t-shirt cinzenta, pois não se perde com coisas menores? O facto é que “venderam” gato por lebre e ainda usaram um recém-nascido como cortina de fumo. Ao que se chega no mundo dos muitos muitos muitos milhões!

 

A família Zuckerberg podia ter constituído uma fundação de caridade, mas não foi isso que ele fez, digamos de preferiu apenas mudar o dinheiro do bolso direito para o esquerdo, dava-lhe mais jeito. Se fosse uma fundação, seria uma entidade sem fins lucrativos e sujeita a regras e supervisão, pelo que optou por criar uma limited liability company, “empresas socialmente responsáveis”. É um nome bonito, mas que permite investir em empresas com fins lucrativos, pode fazer donativos políticos e lobby (não se esqueçam a força que estes têm na América). Resumindo, não terá de atribuir uma determinada percentagem dos seus activos anualmente, não terá quaisquer requisitos de transparência, permanece completamente livre para fazer o que bem quiser e entender com o dinheiro. Não sei o que pensam, mas no meu círculo de amigos não chamamos isto de “caridade”.

Não vamos crucificar o Zuckerberg, ele apenas está a usar caminhos existentes na lei, estranhos, mas legais. E como ele muito outros Mega-ricos ou apenas Muito-ricos por todo o mundo. Mas estão a aproveitar o que os governos (incompetentes!??) permitem ou serão eles que decidem o que os governos fazem?

Já repararem que de cada vez que estas “pessoas” dão para a “caridade” existe um relações públicas a trabalhar para tirar dividendos? De cada vez que fazem “caridade”, no mínimo, pagam significativamente menos impostos?

Por isso, antes de começarem a elogiar pensem bem qual o retorno que a sociedade tem com este tipo de política social e fiscal. Quem realmente fica a ganhar com tudo isto, quanto desse dinheiro doado é realmente utilizado para melhorar a vida e necessidade da população em geral. Criam emprego? Infra-estruturar? Hospitais? Escolas?

Acho que estamos a ser comidos por lorpas, os poderosos fazem o que querem como querem e atiram migalhas as ovelhas para estas não se iludirem e não notarem que “não existem almoços grátis”, apenas aplicações e lucros.

 

 Nota – Também se morde outras coisas no facebook, curiosos?